Quem foi Louis-Ferdinand Céline?

 

Louis- Ferdinand Céline foi um escritor genial e um dos mais controversos e influentes escritores do séc. XX, cujo comportamento humano foi abominável.

 

  • Filiação:

Céline, nasceu a 27 de maio de 1894 em Coubevoie, nos arredores de Paris - França.

Nasceu e cresceu no berço de uma família de classe média, o seu pai, de nome Ferdinand Destouches, era funcionário de uma companhia de seguros, enquanto a sua mãe, Marguerite Guilloux, era gerente de uma loja de rendas e bordados. A educação deste escritor foi modesta, mas desde muito cedo demonstrou interesse em temas literários e científicos.

 

  • Formação:

Com apenas 18 anos, em 1912, alistou-se no exército francês e serviu durante a I Guerra Mundial. Foi gravemente ferido no braço em 1914, sendo condecorado com a Medalha Militar e a Croix de Guerre. Esta participação na guerra marcou-o profundamente e foi refletida nas suas obras, assumindo sempre uma visão pessimista e crítica da humanidade.

Durante um breve período após a guerra, Céline trabalhou como comerciante e, depois, em 1924,  formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina de Paris e começou a exercer a profissão.

 

  • Carreira: 

O grande impulso na carreira de Louis-Ferdinand deveu-se principalmente ao sucesso do seu primeiro livro, intitulado "Voyage au bout de la nuit" (Viagem ao Fim da Noite), em 1932. Este livro teve um impacto imediato e foi amplamente reconhecido como uma das mais importantes obras da literatura francesa do século XX, sendo  comparando  a nomes como James Joyce e Proust pela sua originalidade. Ao mesmo tempo, gerou  controvérsia devido ao seu estilo inovador e às  suas opiniões duras sobre a condição humana.

    • Exílio:  II Guerra Mundial

    Os anos subsequentes ao lançamento do livro "Voyage au bout de la nuit" envolveram Céline numa espiral de controvérsias e infâmia. Foi por volta de 1930 que Céline começou a publicar uma série de panfletos antissemitas, como "Bagatelles pour un massacre" (Bagatelas para um Massacre, 1937) e "L'École des cadavres" (A Escola dos Cadáveres, 1938). Essas ações mancharam o seu bom nome e reputação, e os críticos começaram a associá-lo à extrema-direita, que mais tarde ganharia força na Europa Ocidental, no período anterior à Segunda Guerra Mundial.

    Durante a ocupação nazi da França (1940-1944), Céline foi acusado de colaborar e simpatizar com os alemães. Embora não tenha desempenhado um papel ativo no governo alemão, as suas ideias antissemitas previamente divulgadas renderam-lhe uma hostilidade duradoura entre os franceses. Ele foi obrigado a fugir para a Alemanha, juntamente com a sua esposa, Lucette Almanzor. Contudo, foi preso e exilado na Dinamarca até ser libertado em 1951, altura em que lhe foi permitido regressar à sua terra natal. A partir de 1951, os seus últimos anos foram dedicados exclusivamente à escrita. Escreveu obras como "Féerie pour une autre fois" (Féerie para Outra Vez, 1952) e "D'un château l'autre" (De um Castelo ao Outro, 1957), nas quais descrevia a sua fuga da França para a Alemanha nazi.

      • Estilo literário: 

      A escrita de Louis-Ferdinand Céline foi considerada inovadora e revolucionária para a época, utilizando uma linguagem mais próxima da fala quotidiana, com uma sintaxe irregular, repleta de sarcasmo, humor, elipses e gírias, o que criava uma sensação de fluxo de consciência e espontaneidade no texto, muitas vezes parecendo um fluxo de pensamento livre.

       

      • Morte: 

      Louis-Ferdinand Céline faleceu de um aneurisma a 1 de julho de 1961, em Meudon.

      Apesar da sua influência literária, a reputação de Céline permanece até hoje extremamente dividida devido ao seu antissemitismo e às suas ideias políticas controversas. Para alguns, ele é considerado um génio literário que transformou a literatura francesa; para outros, a sua visão política e moral é inaceitável.

       

      Obras que escreveu: 

       

      • Voyage au bout de la nuit (Viagem ao Fim da Noite, 1932)
      • Mort à crédit (Morte a Crédito, 1936)
      • Guignol's Band (Guignol’s Band, 1944)
      • Casse-pipe (O Fuzil de Palha, 1949) – Incompleto
      • Féerie pour une autre fois (Féerie para Outra Vez, 1952)
      • Féerie pour une autre fois II (Féerie para Outra Vez II, 1954)
      • D'un château l'autre (De um Castelo ao Outro, 1957)
      • Nord (Norte, 1960)
      • Rigodon (Rigodon, 1969) – Publicado postumamente

       

       

      Panfletos Polêmicos (Antissemitas- Textos amplamente condenados pelo seu conteúdo racista e xenófobo)

       

      • Mea culpa (Minha Culpa, 1936)
      • Bagatelles pour un massacre (Bagatelas para um Massacre, 1937)
      • L'École des cadavres (A Escola dos Cadáveres, 1938)
      • Les Beaux draps (Os Lindos Trapos, 1941)

       

      Textos Inéditos e redescobertos (Manuscritos que haviam sido perdidos na segunda guerra mundial, mas que foram recuperados e publicados)

       

      • Guerre (Guerra, 2022) – Romance inédito
      • Londres (Londres, 2023) – Romance inédito
      • La Volonté du roi Krogold (A Vontade do Rei Krogold) – Uma história de fantasia fragmentada que ele nunca terminou

       

      Algumas citações do livro "Uma viagem ao fim da noite" para reflexão: 

       

       

      • "O amor é o infinito ao alcance dos 'caniches'."
      • "Quando não se tem imaginação, morrer é pouca coisa; quando se tem, morrer é demasiado."
      • "Estar sozinho é treinarmo-nos para a morte."
      • "Confiar nos homens é já deixar-se matar um pouco."
      • "O amor é como o álcool, quanto mais somos fracos e bêbados, mais acreditamos ser fortes e espertos, e convencidos dos nossos direitos."